terça-feira, 17 de março de 2009

Brincando com o que não se pode entender, mas se pode sentir....


- Qual o sabor da verdade?

- É acida, amarga, doce, salgada ou adstringente?

Quando ela vem da parte mais alta e mais visível ela é bastante amarga

Mas quando cultivada no lugar menos conhecido e menos visível ela é doce

Quando ela esta no centro entre o alto e o baixo ela é salgada, ácida e às vezes adstringente...

- Queria que todas as verdades puras fossem cultivadas como as dos lugares menos conhecidos.

Talvez os musgos tenham muita verdade para cultivar

E as borboletas conheçam sempre a terra mais fértil.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009


Longe de parte do que sou, incontáveis vezes fui tocada pelos medos e pela saudade.A aflição chegava como uma abelha .Não picava e nem se despedia.Apenas caminhava sobre minhas mãos se deliciando com o doce que havia entre meus dedos. Qualquer movimento brusco poderia fazer ela me picar. Se eu não me importasse com ela, ignorasse ela, nem sentiria a sua presença e logo ela iria procurar outro lugar para pousar. Mas não!! A presença dela me incomodava, e muito, pois a qualquer momento ela poderia destilar o seu veneno sobre mim, mas nada aconteceu. Eu não fui picada pela aflição, mas quem sabe era disso que eu precisava. Ser picada pelo meu medo e ter que enfrentá-lo . Talvez ele morresse assim como uma abelha e não estivesse mais aqui me acompanhando nessas palavras.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Ordem , podas e regresso...


Ordem e progresso

Sociedade Padronizada

Sentimentos proibidos

Pensamentos podados

Quem foi que disse que as árvores precisam ser podadas?Quem foi que teve a idéia de colocar uma ordem , um padrão nelas??

Ordem e progresso é a bandeira defendida. Ordem para eles é organizar e organizar é separar por camadas , por tipos, espécies , força e domínio.

Mas e se houver uma peça que não se encaixa em nenhum padrão???

Ela vai para a “máquina de padronização” e se ela não tiver “concerto” ela será descartada. Uma carta fora do baralho é inútil e pode estragar todo o jogo, por isso deve ser mandada para longe...bem longe..

Não há lugar para uma mente pulsante em um campo de árvores podadas, que seguem um modelo exausto e nauseante. As pessoas que ainda sabem o que é sentir, sabem exatamente o quanto este cenário é deprimente para os olhos humanos.

A objetividade, a dureza e a preocupação em comprar uma felicidade burra e alienada nos afasta cada vez mais das coisas mais simples e belas desse mundo.

Não se entregue às facilidades desse “Admirável Mundo Novo”. Não ignorem o seu pensar e o seu sentir em função do encaixe perfeito, da ordem perfeita e do regresso do ser HUMANO!!!

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Visita rápida às palavras...antes da solenidade

Todos tão próximos

Todos tão iguais

A distância é mínima

Porém estou longe


O profundo sentimento escondido

O equilíbrio da face é mortal e frágil

Sou apenas alguém para bajular


Sem real importância

A não ser que esteja interessado

Bom, já está quase na hora

De voltar para multidão


Logo, logo partirei

E serei para maioria apenas mais uma

E para nojenta minoria

Alguém para bajular


Vou embora agora

Não se preocupe comigo

Estou sendo saudável

A cerimônia já está começando.

sábado, 22 de novembro de 2008

Aconchego

Posso sonhar te, sonhar-me...

Sonhar... apenas com tu...

Estaria, viveria, seria ...

Uma manhã enevoada.

Seria, sentiria ,almejaria...

O bater das asas de um pássaro.

Almejaria o mistério próximo

Ainda não descoberto.

Magnificaria o nada!

Seria feliz em momentos como este

Que escrevo livremente como se eu o fosse

Sou grata em absorvê-lo.

Muita coisa exalei

Mas você me mostrou a magia Contida

no nó atado pela loucura

E a impossível quebra temida, sonhada,

de minha expressão...

Belo se não fosse frustante!


Os mágicos colocam surpresas na palma de nossas mãos. A idéia parece legal e divertida. Mas não me refiro a esses mágicos de cartas que nos prendem com a sua arte e nos proporcionam uma fuga da realidade com as suas habilidades surpreendentes. Me refiro àqueles mágicos que desfazem a magia que pensávamos ter. Aqueles mágicos que nos mostram que na verdade que nada sabemos da palma de nossas mãos.

Os truques aparecem nos lugares onde você menos imagina. Nos sentimos como crianças ingênuas quando percebem coisas nunca antes vistas. Ficamos surpresos e ao mesmo tempo magoados e frustados , pois a “bela”descoberta ocorreu na ilusão de um terreno conhecido. Descobrimos então que os vidros de nossas janelas é que estavam embaçados e tudo não passava de uma ilusão de ótica sentimental.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Produção independente resgata a essência da expressão humana


Em tempos de crise econômica, da corrida pela estabilidade financeira e pelo lucro, a subjetividade do ser humano e a arte tem sido deixada de lado. Perder tempo é perder dinheiro, por isso, a arte ,considerada pelos estressados homens do trabalho, uma perda de tempo, tem sido esquecida. E foi nessa complexidade da sociedade mecânica, que dois jovens resolveram criar um espaço para as pessoas expressarem sentimentos, idéias e emoções. Os escritores, Kléber Felix e Tiago Madureira, lançaram neste mês, o jornal de cunho artístico-literário, o INFINITO LONGE, que tem a finalidade de publicar poesias, crônicas e contos de artistas de escritores independentes da cidade de Dourados.
O jornal é uma simples publicação, de oito páginas, que traz em seus textos poéticos e expressivos, temas do cotidiano, desabafos e a mais pura manifestação da arte, que quebra paradigmas, criando novas formas de literatura. Na linha editorial do jornal o que impera é a liberdade nos textos artísticos. É a arte despreocupada, que clama pelo valor que merece.
O Jornal é estruturado com algumas sessões fixas, como “Guardanapos de Buteco”, “Um cigarro, um café...”, escritas por Kléber Félix e “Entre Guerras” e “Decepções Diárias de uma pessoa qualquer”, por Tiago Madureira. Nas últimas páginas, o jornal tem a sessão “Turistas”, que é desenvolvida por vários escritores independentes de Dourados.
Segundo um dos idealizadores do projeto, o ator e escritor Kléber Félix, a realidade de que existem muitos artistas que rabiscam suas idéias e não tem aonde publicá-las impulsionou a criação do jornal. “A idéia surgiu primeiramente da necessidade de se ter um espaço para publicar nossos textos, e então resolvemos montar o jornal e convidar toda a galera que escreve. Muito do que escrevemos não se encaixa no padrão de que muitos jornais, livros e revistas consideram literatura. A gente procura no jornal, escrever de acordo com a nossa linguagem, que é uma literatura “marginal”, por ser considerada fora dos padrões. Para mim, literatura é tudo o que é escrito e considerado pelo autor como literatura, pode ser uma poesia bem estruturada ou algo que tenha sido rabiscado em um guardanapo de boteco, por exemplo”, conta o escritor.
De acordo com Tiago Madureira, os artistas encontram muita dificuldade em divulgar seu trabalho e receber o valor que merecem. Na maioria das vezes a divulgação é feita por meio de fanzines e publicações independentes, que não possuem patrocínio. Para publicação do Jornal Infinito longe os jovens conseguiram patrocínio de duas empresas e estão vendendo o jornal pelo valor de um real. “Nosso sonho é que a gente consiga ampliar o número de cópias por edição e fazer com essa publicação chegue às escolas públicas da cidade e ai sim agente conseguiria realizar o nosso principal objetivo, que é lançar as obras desses autores da cidade e fazer com a juventude leia e que os autores sejam conhecidos e respeitados como autores que são” , disse Tiago.
Além de escritores e poetas, existem muitos profissionais jornalistas que sentem as dificuldades de publicar seus materiais. Muitos optam pelos fanzines, mas poucas pessoas têm acesso a esse tipo de publicação. A jornalista, Suzana Machado, acredita que iniciativas como a do Infinito Longe devem ser disseminadas no jornalismo. “Na verdade é esse tipo de trabalho independente, que acredito que seja o jornalismo puro mesmo , ou seja é quando o profissional tem a oportunidade e a possibilidade de colocar em prática aquilo que ele acredita, de criticar e avaliar as situações sem ter que se preocupar se aquilo vai passar pela aprovação do seu editor, ou se vai confrontar com a política do local onde você trabalha. Geralmente neste tipo de trabalho, você tem mais tempo, pois é você que cria e define o tempo de dedicação. Trabalhos mais trabalhados são sempre melhores, isso sem dúvida, e hoje você tem que dar conta de uma matéria em meia hora.”,opinou a jornalista
Suzana destaca também que atualmente o que se vê nas publicações de empresas de comunicações é que a ética aprendida no cursos acadêmicos tem sido ignorada. A produção de matérias que visem o lucro, e não a informação tem dominado o mercado de trabalho da comunicação.
Dessa forma, publicações como Infinito Longe reforçam e resgatam a necessidade do verdadeiro espírito da arte e também do jornalismo. Divulgar, informar tem sido conseqüências apenas da produção mercantilizada. É nessa essência da produção da arte independente e alternativa, que ainda têm- se a esperança de que as idéias sejam valorizadas tal como elas mereçam e que a literatura deixe de ser considerada uma perda de tempo.